A Terapia da Linha do Tempo

 

George Vittorio Szenészi

 

 

Parte I
As Linhas do Tempo

Há muitas décadas vários autores de ficção científica vêem deliciando seus leitores com histórias sobre viagens pelo tempo. O cinema e a TV já nos apresentaram filmes e seriados que vêm mexendo com a imaginação e aguçando as esperanças fantasiosas de duas gerações. Muita gente já quis mudar sua história, modificar seu passado e criar um futuro feito sob medida. Refugiando-se nas páginas e nas telas coloridas, esperam pela máquina de seus sonhos. Um artefato tecnológico ou uma caixa mágica que mude sua vida. Não importa.

O que a maioria das pessoas não sabe é que cada um de nós possui sua própria máquina interna do tempo. Uma máquina que pode nos permitir mudar o passado e criar um futuro grandioso. Sem tecnologia nem clips quânticos. Que já vem instalada e ligada. Mas que só mais recentemente seus comandos foram descobertos. Seu software se vale de um programa básico chamado "linha do tempo".

A linha do tempo é uma estrutura subjetiva que você usa para guardar sua história passada e registrar o que você hoje já tem de história futura - seus projetos e objetivos conscientes e os eventos inconscientes já decididos. Na realidade, isto quer dizer que a linha do tempo é um certo "local" onde suas memórias estão guardadas antes de você pensar sobre elas. Fisiologicamente, suas memórias estão armazenadas por toda sua neurologia. Mentalmente, elas estão organizadas ao longo de sua linha do tempo, em direções e sentidos que com freqüência partem de seu corpo para o espaço à sua volta.

Você já ouviu pessoas dizendo "Tenho um futuro brilhante à minha frente" ou "O tempo está ao meu lado". Não são frases de retórica. São experiências concretas. Quando você pergunta a uma pessoa "Se eu pedisse para você apontar a direção do seu passado, que direção você apontaria?", ela poderá apontar com o dedo para alguma direção à volta de seu corpo. Da mesma forma, se a pergunta é para apontar a direção do futuro, ela provavelmente irá apontar outra direção à sua volta. A maioria das pessoas é capaz de fazer isso. A união dessas duas direções numa linha é o que chamamos de linha do tempo.

A linha do tempo é uma representação mental. Quando você pensa em algo do seu passado, essa memória sai de seu "lugar" na linha do tempo, o lugar onde ela é mantida em algum ponto à sua volta e vem para aquele lugar que muitos chamam de tela mental. Vem para o espaço de sua mente onde você vê ou imagina seu pensamento, ouve seus sons e palavras e sente as sensações e emoções. O mesmo acontece em relação ao seu futuro. Um objetivo ou algo que você pensa que vá acontecer desloca-se da linha e vai para sua tela mental. É na tela mental que você tem consciência do que está pensando. Enquanto as memórias estão na linha do tempo e você está no aqui e no agora, elas estão inconscientes.

Cada pessoa possui suas direções para o passado e para o futuro, e elas variam de pessoa para pessoa. Existe um número enorme de tipos de linhas do tempo.

No entanto, dois tipos clássicos de organização do tempo têm características peculiares. São as linhas denominadas "No tempo" e  "Através do tempo". De maneira bem interessante, cada linha define um tipo de personalidade ou de padrões comportamentais.

Pessoas com linha clássica No tempo têm a linha do futuro bem à sua frente e o passado atrás de si, com o agora posicionado dentro do corpo. É uma linha única que vai do passado, localizado atrás do corpo, ao futuro, situado à sua frente.

Pessoas com linhas No tempo tipicamente vivem os momentos do aqui e do agora. Elas estão dentro da corrente do tempo. Não se interessam muito pelo futuro e o passado é algo que já passou, ficou para trás, literalmente. Normalmente impontuais e avessas a planejamentos, preferem lidar com a vida do modo com que ela vai se apresentando. Sua tendência é se adaptarem ao ambiente e às circunstâncias. Se você já encontrou alguém que faz várias coisas ao mesmo tempo e se sente confortável com isso, você está diante de alguém No tempo.

A linha clássica Através do tempo é uma linha horizontal, totalmente à frente dos olhos da pessoa. O futuro está de um lado, o passado de outro e o agora à sua frente.

Pessoas com linhas Através do tempo vivem fora da corrente do tempo. Com os acontecimentos guardados à sua frente, elas vão com facilidade do passado ao futuro. Tendem a viver menos intensamente os sentimentos e as sensações. São mentalmente observadoras das coisas que estão acontecendo com elas, e por isso tendem a parecer mais frias e distantes das outras pessoas. Criam um ambiente em torno de si que seja estruturado, agendado, planejado e controlado. Para elas, situações indefinidas ou ambíguas são condições mais difícieis de lidar. Uma agenda é sempre um presente bem recebido por quem é Através do tempo.

A maioria dos brasileiros é No tempo, especialmente a esmagadora maioria das regiões centrais, norte e nordeste. E agora você entende por que a maioria dos brasileiros deixa suas coisas para última hora, inclusive a entrega da declaração do Imposto de Renda. Para os No tempo, o futuro é algo bem impreciso, e acontece daqui a pouco. Eles tem pouca visão de futuro a longo prazo. Você poderá encontrar um número um pouco maior de pessoas Através do tempo na Região Sul do país, de educação mais européia.

É ao longo das linhas do tempo, particularmente na direção do passado, que as pessoas vão encontrar as causas-raízes de seus problemas. Localizadas precisamente em certos pontos ao longo do contínuo do passado, as memórias que nós chamamos de causas-raízes das várias emoções e das várias crenças limitantes que empobrecem suas vidas, estão aguardando por um aprendizado que as liberte.

No próximo artigo vamos comentar sobre o significado das emoções desagradáveis na história pessoal e na linha do tempo de cada um. E vamos abordar o papel da aprendizagem no processo de reestruturação da vida emocional.

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Mais informações sobre a formação e atendimento com a Terapia da Linha do Tempo pelo fone (48)3233-5525 ou por nosso e-mail. A formação é exclusiva para psicólogos, psicoterapeutas e terapeutas das áreas mental e psicológica com formação anterior e experiência nesses tipos de atendimento.

 

Artigo publicado na revista "Conhecimento Sempre" – Ano 3 – Número 14 – Maio/98